
A notícia do relançamento dos discos oficiais dos Beatles remasterizados trouxe um novo alento para os fãs que buscam novidades. Porém, para nós, reescrever esta história é sempre um desafio.
Chegaram a me sugerir fazer um box explicando cada disco. Mas, como a ideia já foi exaustivamente executada, inclusive recentemente, por vários outros veículos de comunicação, optei por comentá-los em um único texto.
Os discos originais da primeira fase da banda, de 1962 a 1965, mostram uma série de detalhes interessantes que o ouvinte mais atento perceberá. Please Please Me, With The Beatles, A Hard Day´s Night, Beatles For Sale e Help, têm uma sonoridade mais compacta, com os eternos refrões grudentos (quem é que não sabe assobiar a introdução de Love me Do?). John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr tem sua área de atuação definida dentro das gravações.
A diferença é justamente a separação dos instrumentos provocada pela remasterização. Ficou mais clara a forma de atuação dos Beatles como instrumentistas. O trabalho de base (baixo e bateria) dos arranjos ficou bem mais perceptível.
A diferença é justamente a separação dos instrumentos provocada pela remasterização. Ficou mais clara a forma de atuação dos Beatles como instrumentistas. O trabalho de base (baixo e bateria) dos arranjos ficou bem mais perceptível.

A partir dos álbuns Rubber Soul e Revolver, que representam um período de transição da banda (entre 1966 e 1967), marcado pelo falecimento do empresário Brian Epstein, o som fica mais trabalhado. A produção fica mais clara em composições que usam os chamados recursos de estúdio, como Tomorrow Never Knows (do disco Revolver).
Entre 1967 e 1969, a fase final da banda, temos pelo menos três obras-primas: Seargent Pepper`s Lonely Heart´s Club Band, o Álbum Branco e Abbey Road, este o último gravado em estúdio pelos quatro integrantes. Todos discos que usam e abusam dos recursos de estúdio. Nesse caso, a remasterização somente agregou valores ao que já era bom. O mesmo vale para o Magical Mystery Tour, que tem faixas experimentais como I Am The Walrus. Let It Be, o derradeiro álbum lançado em 1970, na verdade já havia sido concebido quase um ano antes. O som das faixas desse disco ficou ainda melhor.
Tudo o que se gera de lançamentos relativos aos Beatles sempre causa um certo frisson na mídia em geral. Mas apesar de ter sido contada inúmeras vezes, a trajetória dos Beatles permanece servindo como referência para músicos de várias partes do mundo.